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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Gênesis




"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto." 
(Gênesis 1:26-31)

Gênesis significa  "origem", “princípio, "nascimento", "criação"; é o primeiro livro tanto  da Bíblia Hebraica como da Bíblia cristã. Faz parte do Pentateuco e da Torá, os cinco primeiros livros bíblicos. Gênesis é o nome dado pela Septuaginta ao  primeiro destes livros. Narra uma visão da criação do mundo na perspectiva cristã, genealogias dos Patriarcas bíblicos, até a fixação deste povo no Egito através da história de José. A tradição  judaico-cristã atribui a autoria do texto a Moisés.

Lemos em Gênesis 1:28 que Deus confiou a nós  seres humanos a guarda dos recursos do planeta, o que implica o emprego responsável desses recursos. Esse versículo não é uma licença para abusar do meio ambiente e desperdiçá-lo, nem uma proibição quanto ao seu emprego. Deus providenciou animais, minerais, árvores, terra e água para que  as pessoas , ao utilizá-los, tivessem uma vida perfeita.


Algumas pessoas imaginam que houve uma explosão e a partir dela, a evolução das coisas, inclusive a evolução da vida. Outras pessoas, como eu, acreditam que Deus, com Seu poder, planejou e criou os animais, a nossa Terra e todo o Universo.  Deus falou e tudo passou a existir. Deus, com Seu poder, planejou e fez tudo  o que existe, cuidando de  cada detalhe do nosso maravilhoso Universo. Ele é o nosso Criador.  Ele nos fez e continua cuidando de nós e de  tudo com amor imorredouro.

Precisamos ser gratos ao nosso Deus porque aqui na Terra temos tudo o que precisamos para ter uma vida maravilhosa. Aqui temos o ar que respiramos  na forma perfeita.  Imagine se  tentássemos viajar pelo espaço sem equipamentos especiais, não viveríamos  para contar a história, porque fora da atmosfera da Terra não existe ar e, portanto não poderíamos respirar e morreríamos em questão de segundos. Somos privilegiados porque Deus, com Seu poder e inteligência superior, planejou e criou isso tudo para nós.

Shalom!

Maria Paiva Corá

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Encontros e Despedidas


                                                                                     Milton Nascimento

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto
É poder partir
Sem ter plano
Melhor ainda
É poder voltar
Quando quero

Todos os dias
É um vai-e-vem
A vida se repete
Na estação
Tem gente que chega
Prá ficar
Tem gente que vai
Pra nunca mais
Tem gente que vem
 E quer voltar

Tem gente que vai
E  quer ficar
Tem gente que veio
Só olhar
Tem gente a sorrir
E a chorar

E assim chegar
E partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A hora do encontro
É também despedida
A plataforma desta estação

É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida


Nota: Podemos dividir o texto Encontro de despedidas em duas partes.
1ª parte (do 1º ao 11º verso) – o sujeito fala de si mesmo em relação aos encontros/despedidas.
2ª parte (do 12º verso em diante) – o sujeito lírico faz reflexões gerais  sobre os encontros/despedidas, observando o movimento de uma estação.
Trata-se de um texto em verso (poema cantado).
Quanto ao assunto, fala de viagens e da emoção do reencontro. O texto focaliza os movimentos de vaivém, identificando os encontros e as despedidas como duas faces de uma mesma moeda. E com relação  ao ambiente, está presente a estação. [Maria Paiva Corá]







quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os valentes de Davi


Certamente você já assistiu alguns desses filmes épicos como, por exemplo, Mel Gibson interpretando Coração Valente ou  Os 300 de Esparta, um filme  americano sobre a Batalha das Termópilas, entre Gregos e Persas. Pois é, imagine você, que cenas iguais a essas retratadas por Hollywood podem ter sido bem parecidas com a guerra de um grande personagem bíblico, chamado Davi. Sua história  fala de política, de poder, intriga e lealdades. Naquele tempo, os fortes sobreviviam; os fracos logo desapareciam. Foi durante a época  de Davi  que Israel se tornou verdadeiramente uma nação. Depois das animosidades entre os clãs e rivalidades tribais que caracterizaram o período dos juízes, foi a figura do rei (começando com Saul e, mais tarde, em grau muito mais forte, com Davi e Salomão) que uniu Israel, embora a Bíblia deixe claro que os séculos de pensamento como clã não se encerre em trinta ou quarenta anos.

Davi  não reuniu os  melhores homens, mas sim, aos piores. Em I cr 11: 10-47, vemos a lista dos valentes de Davi, e estes eram aqueles amargurados, endividados, e em aperto.  “E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso, e ele se fez capitão deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (1 Samuel 22:2).

Era uma aventura insana comprar briga com Israel naqueles dias. O exército de Israel possuía um rei chamado Davi. Ele era um rei em época de guerra e assumiu a posição de general. Ele era um guerreiro nato e  naquela época era corpo a corpo. Os homens que Davi comandava, eram  temidos pela força e pela coragem. Só no capítulo 12 do Primeiro Livro de Crônicas estão relacionados mais de trezentos e trinta mil homens “de ânimo resoluto”, “munidos de escudo e lança”, “providos para a peleja”, “em condições de ir à guerra”, “providos de toda sorte de instrumentos de guerra”. E o livro de II Samuel 23:8-39 faz um destaque especial dos principais valentes do exército de Davi, nome por nome. São trinta os homens que formavam o cerne do grupo que seguia Davi; almas independentes, homens de astúcia, coragem e vigor. Verdadeiros heróis. Desses trinta, podemos destacar alguns pelos seus feitos extraordinários. O primeiro grupo de três, são: Josebe Bassebete,  Eleazar e Samá.

Com a sua lança Josebe-Bassebete feriu oitocentos filisteus de uma vez. “...Josebe-Bassebete, ... principal dos capitães; ..., que se opusera a oitocentos, e os feriu de uma vez” (2 Samuel 23:8).  Eleazar lutou tanto até a espada ficar entranhada na sua mão. Ela estava sangrando, em carne viva, mas ele continuava firme na luta, ferindo os filisteus. Não parou, porque um valente não desiste quando está sofrendo. Ele é persistente. “... Eleazar, ... Ele era um dos três principais guerreiros e esteve com Davi quando os filisteus se reuniram em Pas-Damim para a batalha. Os israelitas recuaram, mas ele manteve a sua posição e feriu os filisteus até a sua mão ficar dormente e grudar na espada. E o Senhor concedeu uma grande vitória naquele dia.” ( 2 Samuel 23:9-10).

Samá  foi um dos três legendários "valentes" do rei Davi.  Foi designado como um dos oficiais de Davi, encarregado da milícia durante o quinto mês do ano. Seu maior feito foi a derrota de uma tropa de filisteus. Depois de os israelitas fugirem da tropa filistéia, Samá ficou sozinho e os derrotou. Samá  quando viu os filisteus querendo saquear as plantações de lentilhas, ele se colocou no meio da plantação e com uma só tacada, derrotou um exército inteiro de 300-800 homens, defendendo àquela  terra cultivada.“E depois dele Samá, ... quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus. Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o SENHOR efetuou um grande livramento” (2 Samuel 23:11-12).

A Bíblia também menciona outro grupo de três, que quando Davi estava na caverna de Adulão, desejou beber das águas que estava junto à porta de Belém, sob o domínio dos inimigos. Quando os três ouviram as palavras de Davi, e do desejo de beber das águas de Belém, desceram até o arraial do inimigo, intrépidos e destemidos, trouxeram a água do poço para que o rei a tomasse. Um feito heróico que mereceu um destaque nas Escrituras e elogios do rei: “Suspirou Davi e disse: Quem me dera beber água do poço que está junto à porta de Belém! Então, aqueles três valentes romperam pelo acampamento dos filisteus, e tiraram água do poço junto à porta de Belém, e tomaram-na, e a levaram a Davi; ele não a quis beber, porém a derramou como libação ao SENHOR. E disse: Longe de mim, ó SENHOR, fazer tal coisa; beberia eu o sangue dos homens que lá foram com perigo de sua vida? De maneira que não a quis beber. São estas as coisas que fizeram os três valentes.”(II Samuel 23: 16-17).

Também podemos citar Benaia. Abisai, Abiatar e Joabe. Benaia  era o que menos falava, mas cuja obediência era total. Ele “tinha ombros como vigas de uma casa”. Esse homem havia com as próprias mãos matado um leão encurralado numa cova durante uma tempestade de neve. Era destemido. Munido somente de um cajado, Benaia esperava o ataque de um soldado armado; tomava a arma da mão do inimigo e o matava com a lâmina de sua própria espada.

Abisai era o chefe de 30 poderosos guerreiros, Ele distinguiu-se pela sua bravura, rivalizando com a dos três homens mais poderosos do rei Davi.  Abisai era liso como uma enguia, o rosto afilado, e tão magro que, correndo, parecia só pescoço, impossível de agarrar, ferir, golpear, apunhalar ou matar. Certa vez, Abizai abateu sozinho, 300 inimigos flisteus.

Abiatar tinha o dom da doçura. Apesar de toda a amargura, conseguia ser gentil e dirigir um sorriso perfeitamente radiante àqueles que ele amava especialmente Davi, que era para ele toda a sua família. Era filho de Aimeleque, o sacerdote de Nobe que Saul assassinara por ter ele dado pão a Davi. Saul chacinara cada um dos membros da família de Aimeleque, exceto Abiatar, que fugiu a Davi com a estola do pai. Então Davi tinha um oráculo, por meio do qual sondava a vontade do Senhor.

E finalmente Joabe que era filho da irmã de Davi. Ele era  guerreiro, estrategista e podia analisar o campo de batalha num instante: terreno, inimigo, condições meteorológicas, a fria conseqüência política de qualquer ato. Era mais baixo que Davi, e também mais atarracado. Tinha modos rudes.  Seu cabelo era grosso, cinza-ferro. Seus olhos eram de um cinza frio. Tinha queixo forte e  o rosto vincado de soldado.

Foram homens como esses, cheios de coragem, fé e obediência que fizeram de Davi um rei vencedor. Inúmeras foram as vitórias do rei Davi contra os inimigos de Israel. Muitas vitórias e conquistas foram registradas, traduzindo-se estas em terras, homens e tesouros. Mas Deus quis também prestar uma homenagem a esses bravos soldados, que repetidamente foram chamados de “valentes”. É só percorrer os livros de Samuel, I e II Reis e I e II Crônicas para se comprovar essa realidade.

O exército de Davi estava bem preparado. Esses soldados foram treinados e prontos para a guerra. Lemos em  I Crônicas 12:1-2: “... estes eram dos valentes que o ajudavam na guerra. Tinham por arma o arco e usavam tanto da mão direita como da esquerda em arremessar pedras com fundas e em atirar flechas com o arco”. E o texto termina por enumerar os principais entre eles, finalizando a narrativa assim:  “...o menor tinha o encargo de cem homens e o maior de mil.” (1 Crônicas 12:14) 

Um dos mais positivos e claros ensinos da história dos valentes de Davi e suas  vitórias é a capacidade de lutar por um ideal até o fim. Também podemos citar a lealdade com seu líder. Entretanto, sabemos que a  luta de um  valente não é por dia, é para sempre. " Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis"(Bertold Brecht). Bem sabemos que há muitas batalhas que precisamos vencer na vida. Que Deus nos dê motivação para que possamos continuar  lutando, e  ter um coração de um verdadeiro valente.

Shalom!

Maria Paiva Corá






terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Por que poesia?




José Maria de Souza Dantas

Por que poesia nos dias de hoje, num mundo muito insensível? Por que poesia, quando os homens estão preocupados com a guerra, com o domínio? Por que poesia num mundo dominado pela tecnologia?

Acredito que, nos dias de hoje, algo nebulosos, incertos, a poesia, a arte, à educação, é a única possibilidade de fazer desfazer a terra, de descobrir as razões da ventania. A arte tem hoje o seu momento de aceno para a verdade, desvelando a mentira cada vez mais crescente e assustadora. Conscientizado pela arte, o homem tem condições de mais certeza num mundo de incerteza, tornando-se capaz, portanto, de afastar a nuvem de ódio, de arrogância e prepotência que paira sobre nossas cabeças.

Nesse sentido, Marx foi injusto com o pensador, achando que ele não deveria apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo. O pensador, o poeta, não tem o poder de modificar, mas de conscientizar o homem da necessidade de transformação, de preparar o terreno para um novo passo, para a conquista de dias melhores.

A arte é a possibilidade única de fazer acordar a humanidade. Mais do que nunca é importante fazer cantar o canto do poeta. Cada poeta exterioriza o seu canto, sua maneira de ver o mundo.

(A consciência poética de uma viagem sem fim. Linguagem. Rio de Janeiro. Presença. 1983. n. 1)


Nota: Acostumamo-nos a chamar de poesia apenas as obras em verso, ou seja, os poemas. Mas a poesia pode existir em qualquer lugar, na prosa e no poema, na noite, no mar, no olhar de uma criança. Ela é sensibilidade, a verdade de um momento, o acontecimento, a liberdade, a prova de que ainda somos capazes de enxergar com o coração.

Quanto à opinião do autor de “Por que Poesia?”, José Maria de Souza Dantas,  a arte nos dias de hoje é importante para sensibilizar o homem, desvelando mentiras e conscientizando.

Ele argumenta que o  papel real do poeta é unir a  sensibilidade e experiência. “A arte é a possibilidade única de fazer acordar a humanidade” porque a arte ainda é algo que sensibiliza. Além disso, ela é tida como lazer, o que aumenta a possibilidade de surtir mais efeito sobre as pessoas, uma vez que pode encontrá-las um pouco relaxadas. [Maria Paiva Corá]