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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Encontros e Despedidas


                                                                                     Milton Nascimento

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço
Venha me apertar
Tô chegando

Coisa que gosto
É poder partir
Sem ter plano
Melhor ainda
É poder voltar
Quando quero

Todos os dias
É um vai-e-vem
A vida se repete
Na estação
Tem gente que chega
Prá ficar
Tem gente que vai
Pra nunca mais
Tem gente que vem
 E quer voltar

Tem gente que vai
E  quer ficar
Tem gente que veio
Só olhar
Tem gente a sorrir
E a chorar

E assim chegar
E partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A hora do encontro
É também despedida
A plataforma desta estação

É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida


Nota: Podemos dividir o texto Encontro de despedidas em duas partes.
1ª parte (do 1º ao 11º verso) – o sujeito fala de si mesmo em relação aos encontros/despedidas.
2ª parte (do 12º verso em diante) – o sujeito lírico faz reflexões gerais  sobre os encontros/despedidas, observando o movimento de uma estação.
Trata-se de um texto em verso (poema cantado).
Quanto ao assunto, fala de viagens e da emoção do reencontro. O texto focaliza os movimentos de vaivém, identificando os encontros e as despedidas como duas faces de uma mesma moeda. E com relação  ao ambiente, está presente a estação. [Maria Paiva Corá]







quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Os valentes de Davi


Certamente você já assistiu alguns desses filmes épicos como, por exemplo, Mel Gibson interpretando Coração Valente ou  Os 300 de Esparta, um filme  americano sobre a Batalha das Termópilas, entre Gregos e Persas. Pois é, imagine você, que cenas iguais a essas retratadas por Hollywood podem ter sido bem parecidas com a guerra de um grande personagem bíblico, chamado Davi. Sua história  fala de política, de poder, intriga e lealdades. Naquele tempo, os fortes sobreviviam; os fracos logo desapareciam. Foi durante a época  de Davi  que Israel se tornou verdadeiramente uma nação. Depois das animosidades entre os clãs e rivalidades tribais que caracterizaram o período dos juízes, foi a figura do rei (começando com Saul e, mais tarde, em grau muito mais forte, com Davi e Salomão) que uniu Israel, embora a Bíblia deixe claro que os séculos de pensamento como clã não se encerre em trinta ou quarenta anos.

Davi  não reuniu os  melhores homens, mas sim, aos piores. Em I cr 11: 10-47, vemos a lista dos valentes de Davi, e estes eram aqueles amargurados, endividados, e em aperto.  “E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso, e ele se fez capitão deles; e eram com ele uns quatrocentos homens” (1 Samuel 22:2).

Era uma aventura insana comprar briga com Israel naqueles dias. O exército de Israel possuía um rei chamado Davi. Ele era um rei em época de guerra e assumiu a posição de general. Ele era um guerreiro nato e  naquela época era corpo a corpo. Os homens que Davi comandava, eram  temidos pela força e pela coragem. Só no capítulo 12 do Primeiro Livro de Crônicas estão relacionados mais de trezentos e trinta mil homens “de ânimo resoluto”, “munidos de escudo e lança”, “providos para a peleja”, “em condições de ir à guerra”, “providos de toda sorte de instrumentos de guerra”. E o livro de II Samuel 23:8-39 faz um destaque especial dos principais valentes do exército de Davi, nome por nome. São trinta os homens que formavam o cerne do grupo que seguia Davi; almas independentes, homens de astúcia, coragem e vigor. Verdadeiros heróis. Desses trinta, podemos destacar alguns pelos seus feitos extraordinários. O primeiro grupo de três, são: Josebe Bassebete,  Eleazar e Samá.

Com a sua lança Josebe-Bassebete feriu oitocentos filisteus de uma vez. “...Josebe-Bassebete, ... principal dos capitães; ..., que se opusera a oitocentos, e os feriu de uma vez” (2 Samuel 23:8).  Eleazar lutou tanto até a espada ficar entranhada na sua mão. Ela estava sangrando, em carne viva, mas ele continuava firme na luta, ferindo os filisteus. Não parou, porque um valente não desiste quando está sofrendo. Ele é persistente. “... Eleazar, ... Ele era um dos três principais guerreiros e esteve com Davi quando os filisteus se reuniram em Pas-Damim para a batalha. Os israelitas recuaram, mas ele manteve a sua posição e feriu os filisteus até a sua mão ficar dormente e grudar na espada. E o Senhor concedeu uma grande vitória naquele dia.” ( 2 Samuel 23:9-10).

Samá  foi um dos três legendários "valentes" do rei Davi Foi designado como um dos oficiais de Davi, encarregado da milícia durante o quinto mês do ano. Seu maior feito foi a derrota de uma tropa de filisteus. Depois de os israelitas fugirem da tropa filistéia, Samá ficou sozinho e os derrotou. Samá  quando viu os filisteus querendo saquear as plantações de lentilhas, ele se colocou no meio da plantação e com uma só tacada, derrotou um exército inteiro de 300-800 homens, defendendo àquela  terra cultivada.“E depois dele Samá, ... quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus. Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o SENHOR efetuou um grande livramento” (2 Samuel 23:11-12).

A Bíblia também menciona outro grupo de três, que quando Davi estava na caverna de Adulão, desejou beber das águas que estava junto à porta de Belém, sob o domínio dos inimigos. Quando os três ouviram as palavras de Davi, e do desejo de beber das águas de Belém, desceram até o arraial do inimigo, intrépidos e destemidos, trouxeram a água do poço para que o rei a tomasse. Um feito heróico que mereceu um destaque nas Escrituras e elogios do rei: “Suspirou Davi e disse: Quem me dera beber água do poço que está junto à porta de Belém! Então, aqueles três valentes romperam pelo acampamento dos filisteus, e tiraram água do poço junto à porta de Belém, e tomaram-na, e a levaram a Davi; ele não a quis beber, porém a derramou como libação ao SENHOR. E disse: Longe de mim, ó SENHOR, fazer tal coisa; beberia eu o sangue dos homens que lá foram com perigo de sua vida? De maneira que não a quis beber. São estas as coisas que fizeram os três valentes.”(II Samuel 23: 16-17).

Também podemos citar Benaia. Abisai, Abiatar e Joabe. Benaia  era o que menos falava, mas cuja obediência era total. Ele “tinha ombros como vigas de uma casa”. Esse homem havia com as próprias mãos matado um leão encurralado numa cova durante uma tempestade de neve. Era destemido. Munido somente de um cajado, Benaia esperava o ataque de um soldado armado; tomava a arma da mão do inimigo e o matava com a lâmina de sua própria espada.

Abisai era o chefe de 30 poderosos guerreiros, Ele distinguiu-se pela sua bravura, rivalizando com a dos três homens mais poderosos do rei Davi.  Abisai era liso como uma enguia, o rosto afilado, e tão magro que, correndo, parecia só pescoço, impossível de agarrar, ferir, golpear, apunhalar ou matar. Certa vez, Abizai abateu sozinho, 300 inimigos flisteus.

Abiatar tinha o dom da doçura. Apesar de toda a amargura, conseguia ser gentil e dirigir um sorriso perfeitamente radiante àqueles que ele amava especialmente Davi, que era para ele toda a sua família. Era filho de Aimeleque, o sacerdote de Nobe que Saul assassinara por ter ele dado pão a Davi. Saul chacinara cada um dos membros da família de Aimeleque, exceto Abiatar, que fugiu a Davi com a estola do pai. Então Davi tinha um oráculo, por meio do qual sondava a vontade do Senhor.

E finalmente Joabe que era filho da irmã de Davi. Ele era  guerreiro, estrategista e podia analisar o campo de batalha num instante: terreno, inimigo, condições meteorológicas, a fria conseqüência política de qualquer ato. Era mais baixo que Davi, e também mais atarracado. Tinha modos rudes.  Seu cabelo era grosso, cinza-ferro. Seus olhos eram de um cinza frio. Tinha queixo forte e  o rosto vincado de soldado.

Foram homens como esses, cheios de coragem, fé e obediência que fizeram de Davi um rei vencedor. Inúmeras foram as vitórias do rei Davi contra os inimigos de Israel. Muitas vitórias e conquistas foram registradas, traduzindo-se estas em terras, homens e tesouros. Mas Deus quis também prestar uma homenagem a esses bravos soldados, que repetidamente foram chamados de “valentes”. É só percorrer os livros de Samuel, I e II Reis e I e II Crônicas para se comprovar essa realidade.

O exército de Davi estava bem preparado. Esses soldados foram treinados e prontos para a guerra. Lemos em  I Crônicas 12:1-2: “... estes eram dos valentes que o ajudavam na guerra. Tinham por arma o arco e usavam tanto da mão direita como da esquerda em arremessar pedras com fundas e em atirar flechas com o arco”. E o texto termina por enumerar os principais entre eles, finalizando a narrativa assim:  “...o menor tinha o encargo de cem homens e o maior de mil.” (1 Crônicas 12:14) 

Um dos mais positivos e claros ensinos da história dos valentes de Davi e suas  vitórias é a capacidade de lutar por um ideal até o fim. Também podemos citar a lealdade com seu líder. Entretanto, sabemos que a  luta de um  valente não é por dia, é para sempre. " Há homens que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis"(Bertold Brecht). Bem sabemos que há muitas batalhas que precisamos vencer na vida. Que Deus nos dê motivação para que possamos continuar  lutando, e  ter um coração de um verdadeiro valente.

Shalom!

Maria Paiva Corá






terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Por que poesia?




José Maria de Souza Dantas

Por que poesia nos dias de hoje, num mundo muito insensível? Por que poesia, quando os homens estão preocupados com a guerra, com o domínio? Por que poesia num mundo dominado pela tecnologia?

Acredito que, nos dias de hoje, algo nebulosos, incertos, a poesia, a arte, à educação, é a única possibilidade de fazer desfazer a terra, de descobrir as razões da ventania. A arte tem hoje o seu momento de aceno para a verdade, desvelando a mentira cada vez mais crescente e assustadora. Conscientizado pela arte, o homem tem condições de mais certeza num mundo de incerteza, tornando-se capaz, portanto, de afastar a nuvem de ódio, de arrogância e prepotência que paira sobre nossas cabeças.

Nesse sentido, Marx foi injusto com o pensador, achando que ele não deveria apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo. O pensador, o poeta, não tem o poder de modificar, mas de conscientizar o homem da necessidade de transformação, de preparar o terreno para um novo passo, para a conquista de dias melhores.

A arte é a possibilidade única de fazer acordar a humanidade. Mais do que nunca é importante fazer cantar o canto do poeta. Cada poeta exterioriza o seu canto, sua maneira de ver o mundo.

(A consciência poética de uma viagem sem fim. Linguagem. Rio de Janeiro. Presença. 1983. n. 1)


Nota: Acostumamo-nos a chamar de poesia apenas as obras em verso, ou seja, os poemas. Mas a poesia pode existir em qualquer lugar, na prosa e no poema, na noite, no mar, no olhar de uma criança. Ela é sensibilidade, a verdade de um momento, o acontecimento, a liberdade, a prova de que ainda somos capazes de enxergar com o coração.

Quanto à opinião do autor de “Por que Poesia?”, José Maria de Souza Dantas,  a arte nos dias de hoje é importante para sensibilizar o homem, desvelando mentiras e conscientizando.

Ele argumenta que o  papel real do poeta é unir a  sensibilidade e experiência. “A arte é a possibilidade única de fazer acordar a humanidade” porque a arte ainda é algo que sensibiliza. Além disso, ela é tida como lazer, o que aumenta a possibilidade de surtir mais efeito sobre as pessoas, uma vez que pode encontrá-las um pouco relaxadas. [Maria Paiva Corá]


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A flor que anuncia a Páscoa



Quaresmeira ou Manacá-da-serra 

... estamos muito longe de compreender inteiramente o ecossistema das florestas tropicais; na realidade, cada nova descoberta expõe novas áreas de nossa ignorância. Mas temos que tentar aprender tudo o que pudermos, enquanto existirem essas magníficas florestas ...
John Mackinnon




As Quaresmeiras têm esse nome porque parte da floração mais intensa é próxima ao período religioso da Quaresma, que vai da quarta-feira de cinzas ao domingo de Páscoa, período de reflexão que antecede a Páscoa para os católicos. Interessante é que a cor símbolo da Páscoa é o roxo, mesma tonalidade de cor das flores das quaresmeiras. Assim como os santos dentro das igrejas, elas se cobrem de flores roxas quando acaba o carnaval e fica desse jeito até a semana santa.
A Quaresmeira  é uma árvore muito bonita e, como é própria das florestas tropicais, torna-se necessário a sua preservação porque trata-se de nosso  patrimônio natural. Também é conhecida como  manacá-da-serra,  flor-da-quaresma, jacatirão-de-capote e pau-de-flor. As espécies de maior ocorrência na Mata Atlântica são a Tibouchina mutabilise a Tibouchina sellowiana.

Além de sua importância ecológica, a quaresmeira é muito utilizada na arborização urbana, com fins paisagísticos, devido à beleza de suas flores e por não apresentar raízes agressivas, permitindo seu plantio em diversos espaços, desde isoladas em calçadas, até em pequenos bosques de grandes parques públicos e seu crescimento é rápido.

As flores são solitárias, grandes, vistosas e duráveis. Desabrocham com a cor branca e gradativamente vão se tornando violáceas, passando pelo rosa. Esta particularidade faz com que na mesma planta sejam observadas flores de três  cores.

Um fato bastante curioso é que o estresse faz as quaresmeiras florirem. Na mata original, a quaresmeira pode viver de 60 a 70 anos. Com o estresse das cidades, elas vivem menos de 50 anos e podem florescer três vezes por ano. As maiores vítimas do estresse são as quaresmeiras que se encontram isoladas nas ruas. Os vilões são o monóxido de carbono, produzido pela queima de combustível dos veículos, o ozônio, a falta de adubação e o pequeno espaço para crescimento e expansão de  suas raízes, além das podas drásticas.

É curioso que, segundo os pesquisadores, as plantas estressadas sabem que terão vida mais curta e produzem mais flores para garantir mais sementes e mais "descendentes". A floração é a forma de perpetuação da espécie. Nas quaresmeiras, as mais velhas vão ficando cada vez mais exuberantes.

Quem contemplar a natureza e afirmar que tudo isso aconteceu por acaso, ou simplesmente foi um acidente, sem um planejador, acredita num milagre muito mais prodigioso do que aqueles que são relatados na Bíblia.  Confesso que tudo que tenho visto na natureza me faz acreditar na existência de um Criador: DEUS!

Shalom!

Maria Paiva Corá














sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos


Salomão afirma: “Melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos do que o insensato na sua estultícia” (Prov. 17:12). Nas terras da Palestina, não havia melhor figura para referir-se a uma situação perigosa. Encontrar-se com uma ursa que tivesse perdido os filhotes era fatal.
Na hora da raiva a  irracionalidade toma conta do coração do insensato. A cultura, a posição social, a formação acadêmica ou a religião são incapazes de trazê-lo de volta à razão. “Corações impulsivos são vítimas dos instintos alimentados pelo orgulho ferido”.
Não podemos discutir  com o tolo. Ceder à vez no trânsito, calar diante das provocações, ficar em silêncio diante dos insultos não é sinal de covardia, mas de prudência. Às vezes pessoas morrem porque param no meio do trânsito para pedir explicações de um louco na sua estultícia. O que fica é a dor de uma família triste e desamparada.
Nada  justifica dialogar com um insensato. O tolo é tolo e ponto. Ele carece do temor de Deus. A que tipo de entendimento pode chegar alguém, discutindo com uma pessoa dominada pela raiva e em cuja vida Deus nada significa?

A melhor maneira  é nos colocarmos nas mãos  de Deus  e pedir a Sua proteção e com prudência fugir da “ursa que perdeu seus filhotes”. Precisamos também evitar as provocações.  Sejamos  humildes e sábios porque “melhor é encontrar-se uma ursa roubada dos filhos do que o insensato na sua estultícia”.
Shalom!
Maria Paiva Corá




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

OS PATOLÓGICOS (fábula de Millôr Fernandes)


A estupidez parece se desenvolver tão bem quando a lucidez.

Uma bela pata, das antigas, que acreditava na prole e na responsabilidade familiar (1), acabando de dar à luz uma maravilhosa ninhada de quatro patinhos, e preocupadíssima com sua educação rápida - e eclética - num mundo em que a competição é verdadeiramente patológica (2), levou os filhinhos, certa manhã, à beira dum lago, para que iniciassem suas aulas de natação, prática fundamental ao orgulho da espécie (3).

-Vejam só, amados filhinhos! - disse ela, depois de verificar com uma das patas se a temperatura da água era adequada. - Reparem bem a maneira correta e elegante de entrar na água (4).

Dizendo isso, atirou-se na correnteza, espadanando água pra todos os lados e começando a nadar, no que supunha o supremo da elegância (5). E ficou boiando, esperando, bobamente feliz (6), que os filhos a acompanhassem.

Mas os patinhos, em vez de acompanharem a mãe, numa natural compulsão bioecológica, permaneceram na margem onde estavam, dando risadinhas e tapando a boca, virando a cara para rir mais, numa atitude estranha e flagrantemente desrespeitosa. A mãe, severa, apelou para o máximo de sua autoridade moral, berrando para que todos a acompanhassem. Ao que o mais atrevido dos patinhos, feito porta-voz dos outros, dirigiu-se a ela da seguinte maneira (ora, vejam só!):

- Mãe, você deve mesmo ser uma velha supremamente idiota supondo que vamos arriscar nossas vidas tão tenras dessa maneira primária e amadorística, mergulhando em apnéia quando já existem aparelhagens maravilhosas, de proteção total. Que você não tenha aprendido nada através da existência, não entenda bulhufas de pressão e descompressão, e não saiba o risco que corre se atirando in natura num elemento estranho e imprevisível, ou está se arriscando porque sabe que lhe resta muito pouco tempo de vida, é problema seu. Mas nós, os jovens de hoje, não nos atemos nem à filosofia do absolutismo biossocial, nem às besteiras de condicionamento genético. Nos recusamos ao teste sem salvaguarda adequada. Isso que você demonstra pode ser coisa absolutamente individual. Flutua confortavelmente é verdade (apesar do seu peso, gorda como está, mais para pâté de foie gras do que pra Silvia Pfeiffer), mas isso pode não acontecer conosco. Nos atirarmos à água pode ser fatal. Portanto, madame, esteja certa de que só aceitaremos essas experiências aquáticas a partir de conhecimento mais profundo (o duplo sentido é involuntário), do líquido elemento. No momento, porém, dispensamos sua orientação e permanecemos seguros, aqui em terra. Tchau, bela!

Terminando, o patinho líder, seguido dos irmãos, saiu correndo, veloz e alegremente, em direção à granja. Mas, quando iam atravessando a estrada, foram todos esmagados por um caminhão.

MORAL: Quase sempre a gente evita o perigo errado.

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(1) Família nuclear.
(2) Perdão!
(3) Todos já ouviram falar em “nada como um pato”.
(4) Não existe maneira correta de entrar na água. Não existe maneira correta de fazer coisa alguma.
(5) Vocês já ouviram falar em “parecia uma pata choca”?
(6) Existe alguma felicidade que não seja boba?


Nota: Ao acabar de ler o texto de Millôr Fernandes, Os Patológicos, o que nos fica é seu assunto central e a impressão que nos causou. Numa releitura mais cuidadosa, encontramos detalhes interessantes.

Logo que nascem os seus  patinhos, a pata decide levá-los para suas aulas de natação.  A mãe age assim porque ela era uma pata das antigas, daquelas que acreditam na sua responsabilidade diante dos filhos. Ela estava temerosa com o bom desempenho dos filhos em uma sociedade como a dos dias atuais.

É interessante quando observamos  a nota número 2.  O narrador pede desculpas porque ele acaba fazendo trocadilho com a palavra “patológico” ( que se refere a doença), aproveitando o fato de que nela há também “pato”, mas não tem nada a ver com os patos.

Mas como explicar: a “competição é verdadeiramente patológica”?  Significa dizer que seus competidores se atiram a ela de forma doentia, obcecada.

Bem, chega por  hoje.

Shalom!

Maria Paiva Corá