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segunda-feira, 19 de março de 2012

O despertar de Ciro, rei da Pérsia





Em Esdras 1:1-2 está escrito que “no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá.” 

O livro de Isaías foi escrito no ano 712 a.C. aproximadamente. Ciro conquistou Babilônia no ano 538 a.C. Portanto, há um intervalo de tempo de 174 anos. Apesar disso, o nome de Ciro já estava citado no livro de Isaías como sendo ele o libertador do povo de Deus. Certamente Daniel como profundo conhecedor das Escrituras  leu  o livro de Jeremias para Ciro, e também o livro de Isaías. O resultado deve ter sido uma grande surpresa para Ciro ao ver seu nome claramente mencionado em um livro escrito há tanto tempo.

Por intermédio de Isaías, Deus deixou bem claro que Ele  iria edificar a cidade de Jerusalém e lançar os fundamentos do templo. Certamente as palavras de Jeremias foram  relevantes para que o rei Ciro tomasse conhecimento do cumprimento do tempo de cativeiro. No entanto, elas ainda não eram tão decisivas a ponto de despertar Ciro a favor do povo de Israel. Somente a citação de Isaías 44:28 foi suficiente para despertar Ciro: Que digo de Ciro: É meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz, dizendo também a Jerusalém: Tu serás edificada; e ao templo: Tu serás fundado.”  E para mostrar com mais certeza a Ciro quem era Deus, há o maravilhoso registro dos primeiros treze versículos do capítulo 45 dirigidos diretamente a Ciro. Após ouvir a leitura deste trecho, com certeza Ciro passou a compreender todos os acontecimentos em sua vida e em seu reino. Percebeu também que a facilidade que teve em conquistar em tão pouco tempo tantas nações (cento e vinte ao todo) não foi devido à sua habilidade e esforço, mas à intervenção divina.

Realmente foi Deus quem enriqueceu o reino de Ciro, dando-lhe todos os tesouros escondidos e as riquezas encobertas das nações. Tudo isso para que ele soubesse que  Deus é o Senhor, o Deus de Israel, e que o chamou pelo seu nome. Não apenas isso: por amor de Seu povo Israel, até sobrenome foi-lhe dado, isto é, Ciro nasceu na família real persa por determinação de Deus. Para reforçar ainda mais a Sua incumbência para Ciro, Deus disse no versículo treze de Isaías 45: Eu o despertei em justiça, e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade, e soltará os meus cativos, não por preço nem por presente, diz o SENHOR dos Exércitos.”  Quem poderia exigir isso de um rei gentio a não ser o próprio Deus?

Agora podemos compreender um pouco melhor de onde vieram as palavras do pregão de Ciro. Diante de tudo isso só podemos ter  uma reação: adorar e louvar o nosso DEUS por Sua presciência, arranjo e soberania em favor de Seu povo, para o cumprimento de Seu propósito.

Shalom!

Maria A. Paiva Corá



quarta-feira, 7 de março de 2012

A falta de uma visão completa e equilibrada




Há uma conhecida história,  na qual cinco cegos encontraram um elefante. Como não havia ninguém por perto para lhes contar o que era, resolveram passar a mão “naquilo”  a fim de descobrir do que se tratava.

O primeiro cego passou a mão no corpo do elefante e concluiu ser uma parede, dura e áspera. O segundo, ao pegar na perna do animal, declarou ser aquilo uma árvore, de tronco grosso e enrugado. O terceiro cego, por sua vez, comentou, pegando no rabo do animal, que eles haviam encontrado uma corda, forte e comprida. O quarto, que estava na frente do elefante, passou a mão pela tromba e  afirmou ser aquilo uma grande cobra. Por fim, o último cego apalpando a orelha do elefante, disse rindo:

- Mas é claro que é uma árvore, de folhas bem largas!

Todos começaram a discutir, cada um considerando ter razão. O elefante, assustado com a discussão, acabou indo embora, deixando os cegos sem saber o que haviam encontrado.

 Infelizmente as nossas igrejas  não se diferencia muito dessa visão cognitiva do elefante.  Podemos aplicar essa fábula a uma questão bastante séria entre os cristãos: a falta de uma visão completa e equilibrada da Palavra de Deus  tem levado muitos a dividirem-se, cada qual se apegando a apenas uma parte da verdade, considerando-a como o todo.

Que Deus tenha misericórdia de nós e abra os nossos olhos, a afim de que conheçamos a vontade plena de Deus. Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, nos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação; tendo iluminados os olhos do nosso entendimento, para que saibamos qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos”.(Efésios 1:17-18).


Shalom!


Maria A. Paiva Corá






segunda-feira, 5 de março de 2012

Senso de mistério



“Através das sombras do navio, o personagem via as serpentes-marinhas”, passagem do poema Ancient Mariner do poeta romântico inglês Coleridge, ilustrada por Gustave Doré.


Na compreensão do mundo, o romântico deixa a razão em segundo plano. Por isso, está disponível para aceitar as coisas misteriosas, inexplicáveis, fantásticas, sobrenaturais, elementos que valoriza e incorpora em suas obras.

Podemos ver essa característica no Poema de Samuel Taylor Coleridge The Rime of the Ancient Mariner ,  uma das maiores obras da literatura inglesa e recordada por todos marcando o início do romantismo em Inglaterra.

O poema relata uma aventura sobrenatural que sucede depois de um crime que é cometido contra a Natureza.

Foi publicado pela primeira vez em 1798 num volume intitulado Lyrical Ballads que o autor publicou em associação com o seu amigo e editor William Wordsworth. Sabe-se que trabalhou no poema durante 4 meses e que hoje é considerado o seu melhor trabalho.


Maria A. Paiva Corá






Mal-do-século - ROMANTISMO


Nos rochedos de calcáreos de Rügen , de K. D.  Friedrich. O quadro resume o                               sentimento de insaciedade pelo infinito que caracterizou o movimento romântico.




Trata-se de uma das características da literatura romântica decorrente  de uma visão de mundo centrada no indivíduo, movimento artístico que   surgiu na Alemanha, por volta de 1800 que conquistou a Inglaterra, a França e, posteriormente, todas as literaturas européias e americanas.  Com uma visão de mundo contrária ao racionalismo e ao iluminismo,  buscou um nacionalismo que viria a consolidar os estados nacionais na Europa.

O romântico acredita que o espírito humano busca sempre a perfeição, a totalidade, o absoluto, o infinito. No entanto, o homem é incapaz de atingir esse estado, por ser uma criatura imperfeita. A constatação dessa impossibilidade produz insatisfação, angústia e até uma obsessiva atração pela morte, encarada como saída definitiva para resolver tal insaciedade.

Ansiando por uma plenitude impossível, o  romântico sente-se desajustado no mundo. Ele vê o homem de sua época como um ser fragmentado, reduzido a uma simples peça da engrenagem social. Dessa  análise da realidade resulta uma sensação de perda da individualidade.

Tal desajustamento conduz ao chamado mal-do-século, definido como a aflição, a angústia, a dor decorrente da falta de sintonia com a sua época.

Desse desajuste resultam:

- pessimismo;

- gosto pela melancolia e pelo sofrimento;

- busca da solidão.

Procurando saídas para esse desequilíbrio, o romântico desenvolve mecanismos de evasão da realidade.


Maria A. Paiva Corá



Esse Mundo Que Eu Vivo


Pelo inverno nas cidades
Eu assisto às transformações
Pelos quartos nos hotéis
Nos anúncios, nas televisões
Vendem crimes
Vendem inveja
Vendem tudo
Até ilusões
Estão brincando
Eu não acredito
Penso em tudo
Até em revoluções

Nos verões pela cidade
Eu assisto as evoluções
Nas escolas desta vida
Nas quadras, nas concentrações

Eu sei que tudo é possível
É nesse mundo que eu vivo
No outono pelas cidades
Eu assisto as demolições
Destroem casas
Implodem edifícios
Não é difícil pra quem não tem emoções

Vendem crises
Vendem misérias
Vendem tudo até em mil prestações
Estão brincando,
Eu não acredito
Penso em tudo até em revoluções

Eu sei que tudo é possível
É nesse mundo que eu vivo

                                                Lobão e Bernardo Vilhena



Falando sobre a música de Lobão


Ao estudar o conceito de literatura percebemos que a arte pode ter entre outros, dois aspectos: o belo e o protesto.
O “belo”, apesar de ser um conceito subjetivo  (o que é belo para um pode não ser para outro), é o fator que impressiona mais aos sentidos: num quadro, pode ser o jogo de cores, por exemplo: numa poesia ou outro tipo de texto literário, pode ser o uso especial das palavras, as imagens e associações criadas pelo autor etc. No entanto, atrás desse “belo”, pode haver – e, sobretudo em literatura, geralmente há – uma crítica, uma denúncia, um desabafo, seja no plano pessoal ou universal, como  em Esse mundo que eu vivo .

Temos aqui a letra da música de Lobão e Bernardo Vilhena  (LP Vida bandida, RCA-Victor, 1987). O texto encontra-se em forma de verso. Como podemos ver temos  uma espécie de desabafo de quem se encontra num mundo perturbado, referindo-se  à situação caótica do país e do mundo.

Concluímos, segundo o texto,  que  os  ideais da Revolução Francesa , cuja lema era  Liberdade, Igualdade e Fraternidade  ficaram apenas na palavra.


Maria A. Paiva Corá











sábado, 3 de março de 2012

Infância




Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
                                                                  Carlos Drummond de Andrade                


Além de ler estes versos de Carlos Drummond de Andrade, podemos ouvi-los na sua voz. Que privilégio!



Falando sobre o poema

Provavelmente seja  o texto poético o mais carregado de climas, dos mais variados tipos:  de solidão, de saudade, de dor, de desespero, de amor, de carinho, pois o poema sempre busca revelar os sentimentos do poeta.
Quando lemos o poema de Carlos Drummond e Andrade podemos observar a atmosfera que o texto cria, fazendo com que nos envolvamos  nas reminiscências do poeta.
Aqui temos um poema de caráter narrativo, apresentando recordações do autor a respeito de sua infância.
É interessante o fato de que no poema  há uma única rima: “aprendeu/esqueceu”  na segunda estrofe.  Encontramos também na segunda estrofe  uma comparação: “café preto que nem a preta velha”.  Com isso o poeta quis dizer que o café não só tinha a mesma cor da mulher que o fazia, como também, e principalmente,  que a sensação agradável do café trazia-lhe lembranças de prazeres de sua infância que se confundiam com a ideia de proteção e aconchego que a preta velha evocava em sua mente.
Algumas ações dos personagens presentes no texto repetem-se em versos de diferentes estrofes. Com isso, o poema ganha uma atmosfera de tranqüilidade: “Meu pai montava a cavalo, ia para o campo”; “Lá longe meu pai campeava”; “Minha mãe ficava sentada cosendo”;  “Meu irmão pequeno dormia.” “- Psiu... Não acorde o menino”(uma fala dirigida ao mosquito que pousou sobre o berço do menino).
A atmosfera de paz e tranquilidade é reforçada na terceira estrofe com o verso:  “E dava um suspiro... que fundo!”  Já na última estrofe, o poeta, já crescido, lamenta não ter percebido, durante sua infância, como sua vida era interessante.  
Que lindo poema!
Maria A. Paiva Corá


quinta-feira, 1 de março de 2012

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO







"Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.

A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte, ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.

Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara da Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.

Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
– Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia". 

(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985. p. 24.)




Nota: O interessante é que o  médico não encontrou qualquer doença em Paulo, identificou apenas uma grande capacidade de criar.  É exatamente isso que acontece com muitos escritores, pois eles têm essa capacidade extraordinária de criação.

Muitos autores inspiram-se através dos tempos no cotidiano e na vida familiar para criar suas histórias. As fábulas, as parábolas religiosas, as histórias oralmente transmitidas de geração para geração encantam e instruem. [Maria A. Paiva Corá]